segunda-feira, 29 de abril de 2013

Eu até tentei me desapegar.
Tentei tirar suas marcas de mim.
Rasguei todas as nossas fotos,
Joguei fora as tuas cartas,
Os nossos sonhos, os nossos planos,
As nossas reviravoltas, os nossos transtornos.
Esse sentimento simplório de aconchego.
A vontade de te ter por perto,
atencioso, risonho, desperto.
Desembarquei dessa ilusão,
Afundei nesse poço de decepção,
Cansei do sofrimento, cansei da paranoia.
Agora eu só quero seguir em frente,
Ser diferente, menos dependente
desse meu coração que já não bate mais por você.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Queria poder me afastar um pouco de tudo o que me sufoca. Toda essa pressão, todas essas apunhaladas pelas costas, tudo mesmo, está me sufocando de forma brusca, impedindo os meus pulmões cansados de funcionarem corretamente. Cada suspiro é dolorido demais para se por em palavras, e respirar já virou monotonia. Nada mais me agrada, nem mesmo o silêncio ao cair da noite. A solidão se tornou excelente companheira, mas foi uma opção pessoal, para se falar a verdade. Os fantasmas que me assombram enquanto tento dormir já não me amedrontam mais. A dor de ter um coração partido já não me machuca mais, esta me fortaleceu com o tempo. As olheiras que envolvem os meus olhos já não fazem mais diferença na minha feição, estas já se tornaram parte do meu perfil. E o que eu posso fazer, afinal de contas?  Eu só queria poder me afastar um pouco de tudo o que me sufoca.

sábado, 13 de abril de 2013

Chove lá fora. Chove dentro de mim. Não sei bem o que isso significa, mas está aqui, eu sinto. Muito em breve me afogarei neste dilúvio inesperado. Dilúvio que surge dentro de mim, que me trai, que me confunde e prega uma surpresa em mim mesma, me engana perfeitamente bem. E enquanto eu estou no fundo do poço me afogando neste dilúvio inesperado que sou, meus olhos não se fecham, eles simplesmente se mantêm abertos o tempo todo para que eu possa assistir a minha própria desgraça. Afundando, eu estou afundando. E a sensação não é nem um pouco boa, é no mínimo sufocante. Ainda chove lá fora. E ainda chove dentro de mim. Chuva eterna de sorrisos e lágrimas ao mesmo tempo. Chuva de inúmeras sensações momentâneas que nunca vão embora.
                     Chove
                                     chuva
                   dentro
                                                 de
                                   mim.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Cansada. Sim. Cansada é a palavra que se encaixa perfeitamente na definição do que eu sou agora. Uma pessoa cansada, com a mente cansada, com um olhar cansado, olheiras profundas e uma alma cansada. Cada parte de mim grita por um minuto de sossego, de paz interior, grita por um momento de leveza, de purificação. Eu só estou cansada. Cansada de me sentir cansada, cansada de não me achar boa o suficiente para alguém, cansada dessa minha paranoia excessiva constante, cansada de tentar ofuscar esses sentimentos destrutivos dentro de mim. Toda vez que eu me deito em minha cama é como se o peso sobre os meus ombros desabassem, e o ar que eu respiro já não é mais o mesmo de antes. Fecho os olhos e começo a enxergar constelações que me distraem e me fazem esquecer de tudo por um tempo, mas constelações não duram para sempre. Nada dura para sempre, pois o para sempre depende do tamanho do infinito dentro de nós, e infinitos são relativos. E então eu me levanto e saio em uma busca desesperada por um copo de café. Cada passo adiante é uma tortura na qual eu me afundo sem intenção. O gosto amargo e puro que aquele líquido preto deixa em minha boca é o mesmo gosto amargo que eu sinto toda vez que eu me lembro que ainda estou cansada. Cansada demais para dar continuidade às palavras, ou até mesmo para começar algo novo. O tempo parou, o relógio parou, a minha saudade aumentou, e não, nada mudou...