sábado, 29 de junho de 2013
A ignorância é mesmo uma benção. Quando o mundo está caindo aos pedaços e ninguém mais se importa, a ignorância se torna a sua única opção. Isso, ou se importar demais e acabar caindo no chão sujo aonde pisamos. Porque vejamos bem, quando você insiste em algo que você sabe que não tem mais jeito e não há mais nada a se fazer, no final da história, o prejudicado sempre acaba sendo você mesmo. E ainda assim, você tenta. E tenta, e tenta. Uma hora tu não aguenta mais. Teu corpo fica exausto, tua força já não é mais vital. E aí o caos se instala dentro da sua mente. Aquela batalha constante na qual você é o único guerreiro lutando contra as suas próprias ideias e vontades. Mas agora que eu consegui me levantar do piso sujo no qual eu havia caído, cheia de feridas ensanguentadas, cheia de marcas profundas e dolorosas, eu posso afirmar com todas as forças existentes dentro de mim, que eu não sinto mais nada. Absolutamente nada. E é aí que a ignorância entra na história novamente. Fui tomada por essa onda grandiosa de "foda-se esta merda" e eu me sinto leve, liberta de todas as coisas ruins que pesavam em meus ombros e braços dormentes. E sim, eu estou sorrindo de novo, eu estou bem. Estou mais do que bem, para lhe falar a verdade. Sinto como se o passado se despedaçasse aos poucos atrás de mim, e os fragmentos fossem levados pelo vento para bem, bem longe. Estou sorrindo com vontade e esbanjando felicidade com vontade pela primeira vez em muito tempo, e isso é mais do que reconfortante, é gratificante.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Overdose
Olhos embaçados, pulsação acelerada.
Mal podia me mover, respirar.
Parecia até que eu estava sendo asfixiada.
As palavras, de minha boca elas fugiram.
Da minha sanidade, elas desistiram.
A consciência sumiu, desapareceu.
Por um momento, fui tomada por um breu.
A sensação era boa, apesar de sufocante.
De certa forma, até reconfortante.
Talvez fosse apenas o efeito das doses.
Doses diárias e extras de você.
Não tinha mais jeito, já estava viciada.
Não era muito difícil de crer, ou ver.
Eu tive uma overdose de você.
Mal podia me mover, respirar.
Parecia até que eu estava sendo asfixiada.
As palavras, de minha boca elas fugiram.
Da minha sanidade, elas desistiram.
A consciência sumiu, desapareceu.
Por um momento, fui tomada por um breu.
A sensação era boa, apesar de sufocante.
De certa forma, até reconfortante.
Talvez fosse apenas o efeito das doses.
Doses diárias e extras de você.
Não tinha mais jeito, já estava viciada.
Não era muito difícil de crer, ou ver.
Eu tive uma overdose de você.
Apagou-se a chama dentro do meu peito.
A tua imagem, da minha memória, se espaireceu.
Tornou-se apenas uma lembrança velha e mísera,
de tudo aquilo que um dia nos pertenceu.
Jurei não sofrer, não me martirizar,
Mas estas são as consequências de se amar.
Jurei até que tentaria seguir em frente,
mas a mim mesma me tornei indiferente.
Possuo o querer de ter controle do meu próprio corpo cansado,
Mas agora é ele quem está a me controlar.
Me sinto como um peso morto deixado de lado
E esta solidão por dentro que só sabe me machucar.
E aqui termino este breve poema,
Cujas palavras são piegas demais para o meu gosto.
Tentativa falha de expressar o que sinto,
Com um sorriso forçado estampado no rosto.
terça-feira, 18 de junho de 2013
E transbordou saudade. Transpassou meu peito, me encheu de desejo, ardeu por dentro. A tua pele morena. Aveludada. A sinceridade no teu olhar, do tipo que me faz vibrar. Teus lábios trêmulos durante os sussurros cautelosos. Teus braços. Abraços. Tão envolventes. Paixão ardente, aparente. Chegou assim, tão de repente. O meu eu compatível ao seu. O medo, a insegurança que desapareceu, tornou-se breu. Os saltos do meu coração ao te esperar, debaixo de um céu negro, debaixo de um luar. O tom da tua voz, a calma no seu toque. Nem o amanhecer mais bonito, nem o anoitecer mais atraente. Nada me desvia de você, nada me distrai de te querer. É claro, bem evidente, que à ti meu todo eu pertence.
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