domingo, 9 de dezembro de 2012

Meu corpo todo doía. Não era uma dor física, era emocional, psicológica. Não era por dentro do meu corpo, literalmente. Era a minha alma, o meu estado de espírito. Era como se minha alma estivesse sendo massacrada e esmagada, esmigalhada e reduzida em minúsculas partículas de poeira, e ninguém sequer percebia o que estava acontecendo dentro de mim. Eu realmente sabia disfarçar muito bem, acho que fui uma atriz em alguma vida passada, ou sei lá. Eu nem sei se reencarnação é algo que existe de fato, não sei no que acreditar. Eu estava sentada em uma pequena mesinha num canto de uma cafeteria, sozinha com os meus pensamentos. Minhas mãos suadas envolviam uma caneca cheia de café puro, que me mantinha aquecida e alerta. Eu observava as pessoas indo e vindo através do vidro sujo da janela levemente empoeirada. Todos aqueles rostos desconhecidos com passos apressados... são tantas histórias e memórias de tantas pessoas diferentes. Quando você se toca de que o mundo é um lugar pequeno, você começa a pensar nesse tipo de coisa. Você tenta imaginar o que se passou de interessante na vida de tal pessoa, e se você se deixar levar, você passa horas tentando criar situações que provavelmente nunca aconteceram. Mas é normal; o ser humano possui essa incrível capacidade de imaginação ilimitada. Fazia um bom tempo que eu estava ali sozinha, porém absorta em pensamentos e ideias aleatórias envolvidos pelas minhas mãos e pela fumaça do meu café escaldante. Todas aquelas pessoas passando, e nenhuma delas sabia da guerra que estava ocorrendo dentro de mim. É até engraçado, de certa forma. Porque elas provavelmente se sentem do mesmo jeito que eu me sinto, e escondem isso com máscaras sorridentes e alegres, igual a mim. Metaforicamente falando, o mundo é uma grande peça de teatro em que todas as pessoas atuam, vinte e quatro horas por dia. Cada indivíduo representa seu próprio personagem, com as próprias falas e atos, com suas próprias desgraças e vitórias. É exatamente isso o que o mundo é; uma grande peça de teatro sem fim.